Finalmente apareceu, no início de maio, uma proposta de autorregulamentação da imprensa que coincide, nas suas linhas principais, com a idéia que lancei já faz tempo, escapando do dilema controle oficial X total falta de limites (tanto um como o outro só servem aos interesses dos antidemocratas, para quem o Estado e a imprensa estão acima da sociedade). O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) defendeu a criação de um conselho de autorregulamentação da mídia. Segundo ele, "seria um órgão democrático, aberto, como é o Conar (Conselho de Autorregulamentação Publicitária), com a participação de todos os segmentos"(Vejam o meu post de 4/1/010 sobre o assunto).
Pode funcionar? Pode. De fato, estamos atrasados uns 60 anos nesta questão, em relação a países como a Inglaterra, onde organismo semelhante existe desde 1953 e foi sendo desenvolvido e melhorado desde então. É a Press Complaints Comission (Comissão de Reclamações sobre a Imprensa), entidade civil com um quadro fixo de 17 conselheiros, a maioria sem ligação direta, ou sem nenhuma ligação com a indústria britânica da comunicação. Outra parcela é constituída de editores e diretores de jornais e as reclamações do público são avaliadas com base num código elaborado pelos editores e firmado por toda a imprensa do país. Só em 2009, a Comissão analisou 39 mil reclamações recebidas por fax, telefone ou correio eletrônico. A página da Comissão (http://www.pcc.org.uk/) é de máxima transparência, com explicações detalhadas sobre o seu funcionamento.
Só pode dar certo, se quisermos superar os atrasos e preconceitos nessa questão.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
É o carcará chegando neste espaço aéreo.
Descobri que o voador fotografado e apresentado por mim na última postagem é nada menos do que o famoso carcará, que "pega, mata e come", na música de João do Vale e José Cândido. Consegui identificar o bicho por meio do importante Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos, mandei a foto e eles responderam. Segundo o Wiki Aves, o carcará é também conhecido como cara-cará, carancho, caracaraí (Ilha do Marajó) e gavião-de-queimada. O carcará não é uma águia e sim um parente distante dos falcões. Ocorre em campos abertos, cerrados, borda de matas e centros urbanos. No Brasil, aparece principalmente no Nordeste e Sudeste.
Ei-lo em nova pose, em foto especial para o blog do gajó Ulup.
Ei-lo em nova pose, em foto especial para o blog do gajó Ulup.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Novidade no espaço aéreo de gajó
Este voador apareceu no espaço aéreo do gavião carijó. Aproveitei para fotografar e reabro o blog do gajó com esta imagem rara, pelo menos para mim, porque acho que dificilmente ele vai aparecer de novo. É mais um que chega perto da cidade provavelmente por falta de ambiente favorável em outros lugares.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Gajó Ulup comemora 10 acompanhantes e faz parada para reciclagem
É preciso comemorar. Este blog do gaviãozinho chegou à incrível marca de 10 "seguidores" públicos (melhor seria acompanhantes ou participantes). Tem mais dois que acompanham mas não se revelam. Valeu, pessoal. Uns comentários contra, a favor ou muito antes, de vez em quando ajudam. Podem espinafrar à vontade, só não me xinguem, como diz a Marinilda Cansadão.
Comemorações à parte, vou fazer uma parada obrigatória nos próximos dias, para umas pequenas férias.
Até a volta.
Comemorações à parte, vou fazer uma parada obrigatória nos próximos dias, para umas pequenas férias.
Até a volta.
Só pra lembrar
Em fevereiro de 1932 o jornal "Diário Carioca" foi empastelado pelos adeptos do então presidente e líder civil da Revolução de 30, Getúlio Vargas. Bem mais tarde, o jornal se tornaria modelo de técnica de redação para diversas gerações de jornalistas. Tem mais em www.pitoresco.com/historia.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
John Wayne não é mais aquele
Imaginem o John Wayne, velho caubói americano, encarregado de comunicar a morte ou desaparecimento de soldados dos Estados Unidos no Iraque às famílias das vítimas. Impensável, tanto em termos de cinema, dos filmes da época do machão e patrioteiro Wayne, como na vida real. Pois é disso que trata o filme "O mensageiro", uma abordagem diferente e bem bolada das consequencias, para o povo americano, do furor bélico dos EUA. Não tem concessão a patriotadas, é implacável e ao mesmo tempo delicado ao apresentar as diversas situações por que passa a excelente dupla de atores Ben Foster e Woody Harrelson, no papel de oficiais do exército com a missão de avisar os parentes dos mortos e sumidos em combate.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
A mistura público-privado em questão na saúde
Papo vai, papo vem, volta às páginas a discussão sobre privatização da saúde, parcerias, coisa e tal. Há dias, saiu artigo assinado pelo professor Carlos Stempniewski, citando uma pesquisa para demonstrar que os gastos dos estados e municípios em saúde superam os do governo federal, e onde isso não ocorreu (Norte e Nordeste), a falta de assistência seria mais grave. É possível. Mas a pesquisa citada vai além: as autoras Isabela Soares Santos, Maria Alicia Dominguez Ugá e Silvia Marta Porto analisam o sistema brasileiro público-privado de saúde e mostram como essa mistura pode levar à progressiva redução da oferta pública de atendimento à população.
Exemplos: Desde 1998 existe uma lei que instituiu o ressarcimento ao SUS dos serviços prestados a pessoas com cobertura de planos privados, por uma tabela específica de preços, chamada TUNEP (Tabela Única Nacional de Equivalência de Procedimentos). Dizem as autoras: “Entretanto, segundo dados da ANS, desde o final de 1999 até meados de 2006, das 371.761 internações identificadas como aptas para cobrança, apenas 60.586 foram efetivamente pagas pelas seguradoras, ou seja, desde quando foi instituído o ressarcimento até quando foram processadas as informações." O pagamento dessas internações pelos valores da TUNEP no período citado corresponderam a R$ 76,9 milhões, apenas um troco quando comparado com os valores da renúncia fiscal (que somam, na previsão efetuada apenas para o ano de 2007, R$ 5,7 bilhões, segundo as autoras).
Esta renúncia fiscal (desconto ou isenção de impostos) concedida pelo Estado às chamadas entidades filantrópicas e que tais, representa um forte subsídio estatal ao setor privado da saúde.
O trabalho completo pode ser encontrado na página da revista Ciência & Saúde Coletiva, vol.13, nº.5, Rio de Janeiro, Set./Out. 2008.
Exemplos: Desde 1998 existe uma lei que instituiu o ressarcimento ao SUS dos serviços prestados a pessoas com cobertura de planos privados, por uma tabela específica de preços, chamada TUNEP (Tabela Única Nacional de Equivalência de Procedimentos). Dizem as autoras: “Entretanto, segundo dados da ANS, desde o final de 1999 até meados de 2006, das 371.761 internações identificadas como aptas para cobrança, apenas 60.586 foram efetivamente pagas pelas seguradoras, ou seja, desde quando foi instituído o ressarcimento até quando foram processadas as informações." O pagamento dessas internações pelos valores da TUNEP no período citado corresponderam a R$ 76,9 milhões, apenas um troco quando comparado com os valores da renúncia fiscal (que somam, na previsão efetuada apenas para o ano de 2007, R$ 5,7 bilhões, segundo as autoras).
Esta renúncia fiscal (desconto ou isenção de impostos) concedida pelo Estado às chamadas entidades filantrópicas e que tais, representa um forte subsídio estatal ao setor privado da saúde.
O trabalho completo pode ser encontrado na página da revista Ciência & Saúde Coletiva, vol.13, nº.5, Rio de Janeiro, Set./Out. 2008.
Assinar:
Postagens (Atom)


