De fato, a salvação dos mineiros chilenos é uma demonstração emocionante do que são capazes os seres humanos quando se juntam para fazer algo que preste. Combinando alta tecnologia (até da Nasa), solidariedade, perseverança e apoio de mídia, os trabalhadores soterrados estão sendo salvos da morte, um a um. Pena que todas essas qualidades virtuosas não tenham sido mobilizadas antes pelos proprietários da mina de cobre San José, controlada pela Compañía Minera San Esteban Primera Sociedad Anónima. Entre 2004 e 2010, a companhia recebeu 42 multas por quebra dos regulamentos de segurança. Em 2007, a mina foi fechada em razão de um processo movido pela família de um mineiro morto em serviço. Mas foi reaberta em 2008, apesar de ter continuado a infringir as normas, segundo o senador chileno Baldo Prokurica, integrante de uma comissão parlamentar sobre o assunto. E, segundo a AFP, em 6 de setembro, depois da última tragédia, um tribunal chileno decretou intervenção na empresa que (surpresa!) pediu falência. "A companhia que represento está num estado tal que não pode enfrentar seus compromissos mais imediatos, tendo já cessado o pagamento de uma obrigação mercantil", diz o documento de falência, assinado pelo representante Alejandro Bohn.
Certamente é preciso estar, como diz o samba, em estado de grande necessidade para aguentar o trabalho insano a 700 metros de profundidade a serviço de uma empresa que não demonstra o menor respeito às suas obrigações sociais e trabalhistas. E recorre ao Estado para ganhar cobertura e livrar a cara dos seus proprietários.
Pior, todas essas informações, que mal aparecem na imprensa "livre", podem ser encontradas de graça na Internet.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
terça-feira, 28 de setembro de 2010
O princípio do samba

"No princípio era a roda - um passeio pela história do samba" é o show que rola no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, com Nei Lopes e o grupo GaloCantô. Cada apresentação, além do mestre Nei e do excelente Galo, traz diversas presenças de sambistas militantes. Começou em julho, termina em dezembro. Não costumo fazer propaganda (modesta, no meu caso) de espetáculos, mas esta é pessoal, pois trata-se de um trabalho baseado em livro do saudoso Roberto Moura, com quem tive o prazer de trabalhar na TVE (hoje TV Brasil) e em produção de carnaval para outra emissora de TV.
A entrada é R$ 6, inteira e R$ 3, meia. Mais informação na página do CCBB - bb.com.br/cultura.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Mais uma proposta corporativa para "regular" a imprensa
Pena que a Associação Brasileira de Imprensa, a venerável ABI, fuja do assunto.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Paulo Moura
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Paulo Moura, que eu vi tocar pela primeira vez ao vivo num baile do Circo Voador. Brasileiro da melhor qualidade.
Um abraço saudoso, Paulo.
Paulo Moura, que eu vi tocar pela primeira vez ao vivo num baile do Circo Voador. Brasileiro da melhor qualidade.
Um abraço saudoso, Paulo.
domingo, 11 de julho de 2010
O homem que não ama as mulheres
A história de sangue e terror que envolve o caso Bruno e as matérias sobre a violência contra as mulheres no Brasil podem ser associadas a um romance chamado "Os homens que não amavam as mulheres", primeiro volume de uma trilogia escrita pelo sueco Stieg Larsson. Logo de saída duas informações que derrubam o mito do paraíso sueco: perto de 20% das mulheres suecas já foram ameaçadas de alguma forma por homens; e 46% sofreram violência masculina. Lá como cá, ainda é longo o caminho para acabar com essa prática covarde (não por uma suposta fragilidade feminina, mas pela demonstração de incapacidade de tratar com a diferença).
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Dois pitacos sobre a imprensa, Dunga, coisa e tal
Pitaco 1: Mais uma prova de que sentença judicial (ou censura judicial) não ajuda a melhorar a imprensa: ficou ridícula a publicação no Globo da sentença contra o jornalista Luiz Garcia, condenando-o a pagamento de indenização por ter criticado um certo juiz (questionar juízes é perigoso no Brasil do século 21) e à publicação da decisão pelo jornal. A sentença começa na página de opinião e segue por quase toda uma página adiante. Quem lê aquilo? Certamente só os interessados e juristas, advogados, coisa e tal. Uma maçaroca que só serve para chatear os leitores, ainda mais porque tudo indica tratar-se de matéria de anos atrás. Supondo-se que o juiz esteja certo, caberia uma reparação em linguagem jornalística, explicando os antecedentes e a conclusão do caso. É por isso que mantenho a proposta de criação de um organismo civil para mediar casos semelhantes (em se tratando de juízes, mais ainda, para contornar o corporativismo), da forma como expus em posts anteriores neste blog (4/1 e 31/5/2010). Mas a "grande" imprensa parece não gostar da idéia. Aliás, não gosta de idéia nenhuma que a tire do Olimpo em que lhe agrada viver.

Pitaco 2 - Cacá parece ter virado o avatar do Dunga em matéria de entrevistas à imprensa. Provocação de jornalista se responde com informação e serenidade. Senão, o que vira notícia é o destempero, a forma raivosa como essas figuras reagem à pressão da mídia. Questionar é obrigação profissional dos repórteres. Não é "assunto pessoal". Nem religioso.

Pitaco 2 - Cacá parece ter virado o avatar do Dunga em matéria de entrevistas à imprensa. Provocação de jornalista se responde com informação e serenidade. Senão, o que vira notícia é o destempero, a forma raivosa como essas figuras reagem à pressão da mídia. Questionar é obrigação profissional dos repórteres. Não é "assunto pessoal". Nem religioso.
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