terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Obama põe jabá dos laboratórios no sol

THE NYT
A bomba saiu hoje no New York Times: o governo Obama quer tornar obrigatória a publicação de concessões em dinheiro e presentes dos laboratórios farmacêuticos e fabricantes de   equipamentos para os médicos.
Diz a matéria: "Grande número de médicos recebe pagamentos de empresas farmacêuticas e de equipamentos a cada ano,  às vezes de centenas de milhares ou milhões de dólares - em troca de consultorias e palestras". E continua: "perto de um quarto dos médicos aceitam pagamentos em dinheiro de laboratórios ou fabricantes de equipamentos e cerca de dois terços deles aceitam presentes rotineiros em forma de alimentação, incluindo almoços para suas equipes e jantares para eles mesmos".
 Uma pesquisa do NYT informa que médicos que aceitam dinheiro de laboratórios muitas vezes praticam a medicina de forma diferente daqueles que não o recebem e são mais tendentes a prescrever remédios de forma arriscada, tais como fortes medicamentos psiquiátricos para crianças.
Diz ainda o jornal que o governo pretende aplicar os mesmos requisitos de transparência às empresas pertencentes a médicos que distribuam equipamentos de saúde. 
Boa idéia... 
  
  

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Vovô viu a uva na Saúde

"Uma cartilha causa polêmica com orientações sobre o uso de drogas pesadas, preparada com base na política de redução de danos, foi parar na mão de crianças e adolescentes em Sorocaba, no interior de São Paulo. O folheto foi distribuído aleatoriamente. Os pais que viram a cartilha ficaram assustados e procuraram a Prefeitura da cidade cobrando explicações".
A notícia, inacreditável, saiu no Globo on line de hoje. É incrível pela demonstração de incompetência dos responsáveis por essa cartilha, pela incompreensão de regrinhas básicas da comunicação, especialmente da Comunicação em Saúde. Para começo de conversa, "folheto distribuído aleatoriamente" é uma redundância. Não há folheto que não possa ser distribuído sem controle, já sabíamos nós ao receber panfletos contra a ditadura militar. A mania das "cartilhas" (coisa de quem acredita que o povão não sabe nada e precisa ser ensinado na base do vovô viu a uva), além de baseada em preconceitos, representa uma visão certamente superada em termos de comunicação no campo da Saúde. O suporte em papel, que também determina conteúdo, acaba servindo mais para garantir maiores despesas públicas nas gráficas do que benefícios para os profissionais e usuários. Estão aí os suportes em vídeo, na internet e outras maravilhas tecnológicas que talvez pudessem ser mais aproveitadas para a comunicação em múltiplas vias e mãos entre os interessados, incluindo os usuários.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Corte internacional para o assassino norueguês

Corte Internacional de Haia
Esse norueguês com sorriso de Mona Lisa deveria ser julgado em corte internacional, com previsão legal para a pena de morte (em geral sou contra, mas esse caso dá o que pensar) ou prisão perpétua no melhor dos casos. Nada de bom mocismo: o assunto deve ser discutido publicamente e em escala planetária. O mesmo deveria ter ocorrido com o tal do Bin Laden, mas, aparentemente, mataram-no com conveniente rapidez depois de descoberto.  

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Nós não acredita nos jornal

 fini
Não li o livro da professora Heloísa Ramos, mas o artigo do professor e linguista Marcos Bagno no Globo de hoje ajudou a esclarecer o assunto do suposto estímulo a erros gramaticais num livro didático. Também conversei com uma amiga com militância, muito preparo na área e que se deu ao trabalho de ler o livro.
Isso e mais o simples fato de que jornalões estão fixados em dar porrada no MEC, dá o que pensar.
O que os jornalões e suas "sábias" fontes procuram deliberadamente ignorar é: 1) o livro é dirigido a
alunos jovens e adultos, não a crianças; esses alunos comumente vêem a escola como um ambiente opressivo, onde demonstrar ignorância da norma culta pode virar objeto de menosprezo e bronca de certos professores e eventualmente dos próprios colegas; 2) Como diz o Marcos Bagno, esses
alunos necessitam de acolhida aos seus próprios saberes, que diferem da norma culta, para que possam aprendê-la sem asfixia da sua identidade social - e é essa a proposta, não a de um "livro didático
que aceita erros gramaticais"; 3) Uma pergunta que ficou e que vi respondida por minha amiga educadora é sobre a necessidade ou não de inserir tal questão num livro destinado a alunos, em vez de dirigi-la
somente a professores: "Já está na hora de pôr o assunto preto no branco para os alunos. A questão (da linguagem popular X norma culta) vem sendo discutida há muito tempo entre educadores e a singularidade do livro é apresentá-la aos principais interessados, os alunos", afirma.
Para mim, zé fini.

sábado, 23 de abril de 2011

Armas, armas e mais armas

Saio da minha mudez diante do massacre na escola Tasso da Silveira para dar uns pitacos no assunto. Fiquei mudo porque outra coisa não me cabia na ocasião, diante deste ato de ruptura, de rompimento com o conhecido e o sabido. Fiquei de olho naqueles que conseguiram, certamente não sem esforço e reflexão, dizer alguma coisa que preste. Daí, uns pitacos:
O senador Cristóvão Buarque escreveu artigo publicado na imprensa sobre o papel das escolas públicas no enfrentamento da questão da violência. Bacana, mas ele não mencionou a atuação dos meios de comunicação, especialmente a televisão. Agora que o pessoal está com algum dinheiro no bolso, certamente vão aumentar os acessos à TV, aberta ou "fechada". Em ambas pode-se notar uma escalada de violência e sangue, especialmente nos seriados americanos (que acompanho há muitos anos), cada vez mais apelativos ao nosso sadismo embutido - ou masoquismo -  armas de montão, tiros pra cacete, cenas de extrema brutalidade, assassinos seriais, heróis e vilões vestidos preferencialmente de preto, coisa e tal. É claro que não cabe censura, mas cabe perguntar qual será a relação dessas emissoras e desses programas com os interesses e necessidades da sociedade (o ovo ou a galinha?). E o que diz a "sociedade"? Parece que, por enquanto, nada. 
Pitaco 2 : Faço minha a pergunta da jornalista Dorrit Harrazim:  Onde estavam muitos dos que choram o massacre da escola quando votaram contra o controle da produção e distribuição de armas no Brasil, no plebiscito de anos atrás?   

terça-feira, 29 de março de 2011

Cabeças raspadas

Fazendo coro ao amigo jornalista Rogério Marques, recomendo a leitura do artigo do historiador Daniel Aarão Reis em https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/3/29/os-cabecas-raspadas; é a descrição da arbitrariedade cometida contra os que questionaram a visita do presidente dos EUA, Barack Obama, em frente ao consulado americano.